
“Por vezes à noite há um rosto
Que nos olha do fundo de um espelho.
E a arte deve ser como esse espelho
Que nos mostra o nosso próprio rosto”
Jorge Luis Borges
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A maioria dos grandes artistas da humanidade em algum momento foram tidos como portadores de algum tipo de transtorno mental, seja esquizofrenia, bipolaridade ou mesmo depressão.
O que faz essa ligação tão forte entre a Arte e a “Loucura”? A arte é causa ou consequência? É a cura ou estimulo? É um produto ou um reflexo do transtorno?
Ano passado foi muito importante para mim, porque conseguimos realizar um dos projetos mais importantes de minha vida: o espetáculo “Um Certo Van Gogh”. O texto da peça de alguma forma desmistifica o possível transtorno mental do personagem, e foca mais no sentimento de inadequação. Um sentimento muito comum para portadores de transtornos mentais, mas de forma alguma privilégio só deles. Aqui abaixo um texto que escrevi para apresentação da peça, que explica melhor o que quero dizer.

” Quem nunca se sentiu um pouco como Vincent? Não louco, mas enlouquecido. Não fracassado, mas incompreendido. Não sozinho, simplesmente inadequado. Como manter a lucidez e a determinação contra toda uma sociedade que não é capaz de te compreender? E pior, que te obriga a ser outra coisa?
Van Gogh nunca se rendeu.
Uma luta contra tudo e contra todos. A convicção mais forte do que qualquer outra coisa. A sociedade tentou enlouquecê-lo, e em alguns momentos conseguiu. Mas se nas artes os fins justificam os meios, Vincent venceu.
Van Gogh está em todos que um dia ja se sentiram inadequados. Forçados pela sociedade a fazer algo. Forçados a se transformar em algo que não são. Fernando Pessoa disse que o coração, se pensasse, pararia. E Vincent, só coração, não parou nem por um segundo. Ou talvez só no último segundo – quando pensou.
Há muitos Vincents Van Goghs espalhados pelo mundo, e é para eles que dedico este espetáculo. “
Esse post começa com uma frase do escritor argentino Jorge Luis Borges e uma foto do nosso Antonio Bispo do Rosário, portador de Transtornos Mentais. Em comum: – a arte.
Gostaria muito da opinião de vocês sobre a relação entre a arte e os transtornos mentais, e o papel que a arte pode ter na vida de todos que de alguma forma já se sentiram inadequados ou excluídos da lógica do nosso mundo.
Obrigado
Bruno
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oi todo mundo!
fiquei muito feliz e honrado com a participação de vocês todos aqui no blog. muito mesmo.
os depoimentos de vocês me ajudam muito a entender cada vez mais do assunto e a fazer um tarso cada vez melhor.
tenho certeza também que essa troca de mensagens entre todos os leitores do blog acaba por fazer com que a gente ajude uns aos outros. é bom saber que não estamos sozinhos.
é um assunto que mexe muito com sentimento e com emoção, então vamos procurar não só escrever as mensagens com o coração, mas também ler as mensagens, assim como o artigo de Ferreira Gullar, com o coração, e procurar entender tudo que passa na vida, na cabeça e na alma de pessoas que de uma forma ou de outra, convivem com essa realidade.
gostaria de poder responder a cada um de vocês, pois leio todas as mensagens assim que chegam, mas o ritmo das gravações está muito intenso sempre.
vocês estão me ajudando muito!
obrigado
bruno